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Inflação cai em abril para 0,61%; para quem ganha menos, o índice é de 0,53%

No mês passado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, estava em 0,71%. Nos quatro primeiros meses do ano o índice acumula 2,72%

ROBERTO PARIZOTTI (SAPÃO)

A inflação desacelerou no mês de abril, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira (12). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial ficou em 0,61%, uma queda de 0,10% em relação ao mês de março com 0,71%.



Ao longo dos primeiros quatro meses de 2023, o acumulado da inflação é de 2,72%. Já nos últimos 12 meses, acumula alta de 4,18%. Na comparação de abril deste ano com o mesmo mês em 2022, a inflação caiu quase pela metade. No ano passado estava em 1,06%.

A variação de preços do IPCA

O IPCA mede a variação de preços para quem tem renda de um a 40 salários mínimos (R$ 1.320 a R$ 52.800). Todos os preços pesquisados pelo índice oficial da inflação tiveram alta.

Os itens que menos subiram foram o do setor de transportes (0,56%), auxiliado pela queda dos preços dos combustíveis, de - 0,44%. O etanol teve alta (0,92%), enquanto diesel (-2,25%), gás veicular (-0,83%) e gasolina (-0,52%) caíram.



Já o grupo saúde e cuidados pessoais acumulou 1,49% em abril e teve impacto de 0,19 ponto percentual no total do INPC. O índice foi puxado pelos preços dos remédios. Em 31 de março o governo autorizou reajuste de 5,60% nos preços dos medicamentos, que se refletiu na alta deste mês. Os planos de saúde também subiram 1,20% no mês passado.

Para o economista Gustavo Machado Cavarzan, da subseção do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro (Contraf-CUT), “a desaceleração teria sido ainda maior, não fosse o impacto da alta de 3,55% nos produtos farmacêuticos no mês. Esse fator não deve se repetir nos próximos meses. Alguns itens que vinham subindo fortemente nos últimos anos e prejudicando a vida da população tiveram queda no mês, como a carne, por exemplo, que teve redução de 0,45% em seus preços”.

Os nove grupos que compõem o IPCA tiveram a seguinte variação:

  • Alimentação e bebidas: 0,71%;

  • Habitação: 0,48%;

  • Artigos de residência: 0,17%;

  • Vestuário: 0,79%;

  • Transportes: 0,56%;

  • Saúde e cuidados pessoais: 1,49%;

  • Despesas pessoais: 0,18%;

  • Educação: 0,09%;

  • Comunicação: 0,08%.

Inflação é menor para quem ganha menos

Pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que verifica a variação de preços para quem tem renda menor, de um a cinco salários mínimos (R$ 1.320 a R$ 6.600), a queda da inflação em abril foi mais acentuada, ficando em 0,53% ante 0,64% em março. No acumulado do ano os preços para essa faixa de renda subiram também menos, 2,42%.



A variação de preços dos itens do INPC foi:

  • Alimentação e bebidas: 0,61%;

  • Habitação: 0,46%;

  • Artigos de residência: 0,17%;

  • Vestuário: 0,75%;

  • Transportes: 0,41%;

  • Saúde e cuidados pessoais: 1,30%;

  • Despesas pessoais: 0,16%;

  • Educação: 0,12%;

  • Comunicação: 0,06%.

Juros precisam cair

Como avalia Cavarzan, “nesse cenário torna-se cada vez mais injustificável que o Banco Central (BC) mantenha a taxa de juros do Brasil no mais alto patamar do mundo, prejudicando o crescimento econômico, a geração de emprego e renda”. O economista também observa que, em sua última ata, o Copom, comitê do BC que determina a taxa básica de juros, a Selic, não deu nenhum sinal de que irá reduzir os juros.

“Pelo contrário, sinalizou que pode eventualmente até aumentar. O atual presidente do BC não tem desempenhado suas funções a contento. Nos últimos dois anos, a inflação ficou acima da meta, e as outras funções do BC, que devem fomentar a atividade econômica e o pleno emprego, não são nem levadas em consideração em sua atuação, e isso é extremamente prejudicial para a recuperação do país”, analisou Cavarzan.

Colaborou: Contraf-CUT



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