Ministério da Saúde tenta manter contrato com empresa acusada de irregularidades em hospital federal

O RJ2 teve acesso ao processo com as irregularidades cometidas pela empresa Plano Construções no Hospital Cardoso Fontes. Entre os problemas, está o pagamento por serviços que não foram executados pela empresa. A diretora que questionou a empresa quase foi exonerada.


Ministério da Saúde tenta manter contrato com empresa acusada de irregularidades no Hospital Federal Cardoso Fontes ( Fonte: G1 )


O Ministério da Saúde vem brigando pela manutenção de um contrato com a empresa Pleno Construções, acusada de irregularidades na prestação de serviços ao Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.


O RJ2 teve acesso ao processo com as irregularidades cometidas pela empresa. Entre os problemas, está o pagamento por serviços que não foram executados.


Um dos achados foi a construção de um muro dentro do hospital. De acordo com uma tabela da própria empreiteira, foram cobrados mais de R$ 126 mil pelo serviço. O valor seria suficiente para construir uma casa popular. Contudo, mesmo depois de receber o dinheiro, a Plano não entregou a construção.


O hospital foi obrigado a contratar uma outra firma com dinheiro público para subir o muro. Dessa vez, a despesa ficou em mais de R$ 35 mil.


"A Plano era uma empresa que gerava nota de serviços que ela não realizava, como é a questão do muro. As questões que estavam sob a sua guarda, como a questão dos geradores, acabavam tendo o material furtado. A questão das instalações elétricas colocaram todo o hospital em risco", comentou um servidor que não quis se identificar.

O documento obtido pela reportagem aponta outras irregularidades contratuais cometidas pela Plano, que também não estaria pagando salários dos funcionários. A empresa também teve dificuldade para realizar as manutenções necessárias nos geradores de energia da unidade de saúde.


Pelos seus serviços, a Plano firmou um contrato com o Hospital Cardoso Fontes de mais de R$ 8 milhões por ano.


"Era uma empresa totalmente inadimplente com as suas responsabilidades contratuais e que tinha uma forte influência política no sentido de fazer a sua manutenção", contou o servidor.

Troca de Comando


Na última sexta-feira (8), o RJ2 informou que o Ministério da Saúde pretende trocar os gestores dos cinco hospitais federais do Rio de Janeiro.


No Hospital Cardoso Fontes, a atual diretora Ana Paula Fernandes da Silva deve ser substituída pela médica Vera Lucia Ferreira Vieira, que usa as redes sociais para fazer campanhas a favor de tratamento com drogas que comprovadamente não tem eficácia contra a Covid.



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A possível troca na unidade teria como objetivo retirar a diretora que questionou os serviços prestados pela empresa Pleno.


Essa é a segunda tentativa de substituição de Ana Paula Fernandes da direção do hospital. A primeira vez que o ministério tentou afastar a médica foi em 30 de junho de 2020.


Na ocasião, depois de uma investigação que apontou ilegalidades nos serviços da Pleno, ela suspendeu o contrato com a empresa.


No mesmo dia, a diretora recebeu uma ligação do superintendente Pedro Pinheiro, que teria dito a ela que existiam ordens para manter o contrato da plano com o hospital.


"No dia em que foi rescindido o contrato unilateral dessa empresa, houve um telefonema do superintendente, doutor Pinheiro, através do seu secretário, que é o Igor, solicitando que fosse mantida a Plano, porque existiria ordens superiores de mantê-la dentro desse hospital, mesmo com todos as inúmeras irregularidades contratuais", disse uma médica.

A diretora Ana Paula compartilhou o processo com as irregularidades cometidas pela Plano com a superintendência de Saúde, órgão ligado ao ministério. Mas no mesmo dia, o departamento federal decidiu exonerar a diretora.


Na época, Ana Paula acabou sendo mantida no cargo, após servidores do hospital questionarem a substituição.

Sem respostas dos envolvidos

A equipe do RJ2 procurou o Ministério da Saúde, mas até a última atualização desta reportagem não teve retorno.


Os representantes da empresa Plano Construções também não foram localizados para responderem sobre as acusações.


Desde a última sexta, a reportagem também vem tentando contato com a médica Vera Lúcia Ferreira Vieira, que não foi encontrada.

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