Dia Mundial de Combate à Poliomielite: Secretaria de Estado de Saúde convoca população

para última semana da campanha de Multivacinação Reta final da mobilização nos postos de saúde visa aumentar índices de vacinação da população, reduzidos na pandemia



No mês de outubro, os olhos da população fluminense estão voltados para a caderneta de vacinação das crianças e adolescentes menores de 15 anos. A campanha de Multivacinação ganha ainda mais destaque esta semana, quando se celebra o Dia Mundial de Combate à Poliomielite, 24 de outubro. Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Saúde, no estado do Rio, a cobertura de todas as vacinas foi reduzida. A poliomielite caiu de 88,76% em 2017 para 87,48, em 2018 e 73,62, em 2019. E, em 2020, ano em que a pandemia prejudicou a ida aos locais de vacinação, apenas 55,20% dos bebês foram imunizados.


As etapas de proteção seguintes expõem uma realidade ainda mais preocupante. Em 2017, 77,20% das crianças entre 13 e 24 meses compareceram aos postos para tomar a dose de reforço. Em 2018, o índice baixou para 67,53% dos bebês e, em 2019, 60,18%, e em 2020, 45,83%. O comparecimento das famílias para a dose dos 4 anos também vem caindo: 65,59% em 2017, 59,07%, em 2018, 53,83%, em 2019, e 49,58% em 2020.


Até o fim do mês de outubro, crianças e adolescentes menores de 15 anos podem se vacinar na campanha de Multivacinação. Dentre as vacinas que estão disponíveis nos postos na campanha estão: BCG, Hepatite A e B, Penta (DTP/Hib/Hep B), Pneumocócica 10 valente, VIP (Vacina Inativada Poliomielite), VRH (Vacina Rotavírus Humano), Meningocócica C (conjugada), VOP (Vacina Oral Poliomielite), Febre amarela, Tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba), DTP (tríplice bacteriana), Varicela e HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano), dTpa (para gestantes adolescentes), Meningocócica ACWY (conjugada) e dT (difteria e tétano).


O sucesso do Programa Nacional de Imunizações (PNI) proporcionou a erradicação de doenças que marcaram profundamente a história da humanidade. Ao investir no controle de qualidade de vacinas, técnicas de aplicação e estratégias de vigilância epidemiológica, o Brasil conseguiu erradicar a poliomielite, em 1990. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, na cidade de Souza, na Paraíba. Também chamada de paralisia infantil, a poliomielite é uma doença contagiosa aguda, causada pelo poliovírus, que pode infectar adultos e crianças por meio do contato com fezes ou secreções eliminadas pela boca de pessoas doentes. Em casos graves, acontecem paralisias musculares, sendo os membros inferiores mais afetados.


No Brasil, não há circulação do poliovírus selvagem desde 1990. Mas a doença permanece endêmica em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Por isso, a importância de se manter a atenção para a imunidade pessoal e de grupo da população, com atenção efetiva de vigilância da doença. De acordo com o livro "Vacinas e vacinação no Brasil: horizontes para os próximos 20 anos" (Edições livres, 2020), a queda nos índices de vacinação acarreta o alarmante risco de retorno de doenças erradicadas há décadas.


Com exceção da BCG, oferecida nas maternidades, a maioria das vacinas no calendário infantil caiu para índices entre 70,7% e 83,9%, menores níveis registrados desde 2002. "Um nível de apenas 70% de cobertura significa ter 30% de suscetíveis em um ano, e os suscetíveis acumulam nos anos subsequentes, o que aumenta o risco do retorno de doenças erradicadas. Com efeito, uma epidemia de sarampo reintroduzido da Venezuela, em 2018, atingiu milhares de crianças e adultos em Roraima, Amazonas e Pará, causando algumas dezenas de óbitos.


Os dados de cobertura vacinal para 2018 indicam um quadro ainda mais grave. O índice de crianças que receberam as doses de vacina contra a poliomielite, por exemplo, está em 77% – uma queda de 7,5% em relação a 2016 e 21% em comparação a 2015" ("Agenda 2030 na Perspectiva do Desenvolvimento Sustentável", página 33). Segundo a obra, em 2017, 1.842 municípios brasileiros (33%) tiveram cobertura vacinal abaixo de 80% e 312 municípios com cobertura abaixo de 50%. Um panorama que representa um risco de retrocesso a uma conquista da saúde pública brasileira.


Na década de 60, o sucesso das campanhas de vacinação contra a varíola impulsionaram os investimentos em um conjunto de ações direcionadas à erradicação das doenças que podem ser prevenidas através da imunização. O último caso de varíola notificado no Brasil foi em 1971 e, no mundo, em 1977, na Somália. A certificação da erradicação mundial da varíola pela Organização Mundial da Saúde, em 8 de maio de 1980, foi festejada com uma das mais extraordinárias conquistas do esforço mundial pela saúde.


Fonte: Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro

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