Brigadas Digitais e Plataforma da CUT incluem trabalhador no debate político

É unanimidade entre sindicalistas e políticos que instrumentos criados/elaborados pela CUT, entre eles os Comitês, são essenciais para os trabalhadores se envolverem no debate para a reconstrução do Brasil


Rafael Freire (CSA), Carmem Foro, Lula, Sergio Nobre e Gleisi Hoffmann, na entrega da plataforma


É unânime entre os sindicalistas CUTistas e políticos que participaram nesta segunda-feira (4) do lançamento da Plataforma da CUT para as Eleições 2022, entregue ao ex-presidente Lula, a opinião de que este documento, junto com instrumentos como as Brigadas Digitais e os comitês permanentes de debates sobre a situação no país, criados pela Central, são essenciais para os trabalhadores e as trabalhadoras se envolverem no debate sobre a reconstrução do Brasil, ou seja, o Brasil que os trabalhadores querem.


“A entrega desse documento [a plataforma da CUT com propostas para os candidatos] é uma contribuição ao presidente Lula, e é também uma declaração de apoio à sua campanha, e são muito importantes. A CUT é uma central que representa milhares de sindicatos e que tem muita força para fazer a mudança que o país precisa”, disse a presidenta do PT Nacional, Gleisi Hoffmann. Segundo ela, é fundamental a organização de toda a classe trabalhadora para mudar os rumos do nosso país.


A Secretária-Geral da CUT Nacional, Carmen Foro, ressaltou que a Central tem uma história de 38 anos de acúmulo de conhecimento da agenda da classe trabalhadora e que, desde 2015, entrega suas plataformas, importantes e orientadoras para a base, tendo inclusive se transformado em política pública, como a da valorização do salário mínimo, criada por Lula, que Bolsonaro extinguiu.


“A entrega do nosso documento a Lula é importante por que há 10 anos discutíamos como daríamos passos para melhorar a vida dos trabalhadores. Infelizmente, agora estamos discutindo como vamos reconstruir o Brasil. Olha a grande diferença em poucos anos. Então a plataforma é muito importante, traz vários elementos que diz respeito à democracia, à soberania, e à garantia da soberania alimentar; fala da indústria, da moradia, do transporte, reforma urbana, enfim diz tudo o que é central para que a classe trabalhadora possa sonhar e viver dignamente”, afirmou Carmen Foro.


É importante que a classe trabalhadora saiba muito bem o que quer para eleger um governo de coalização, que reconstrua tudo o que o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) vem destruindo, acrescentou Devyd Bacelar, Coordenador-Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).


Segundo o dirigente, “é importante que as centrais sindicais capitaneadas pela CUT possam de fato ter esse momento de discussão e apresentação dessa plataforma a Lula até porque ele tem sinalizado que quer uma contrarreforma trabalhista e a CUT tem esse protagonismo, trazendo uma série de discussões nesse sentido”, disse.


Representante do ramo metalúrgico no evento de lançamento da plataforma, Leandro Soares, presidente do Sindicato Metalúrgicos de Sorocaba e Região, ressaltou a importância que a CUT tem em defesa dos direitos da classe trabalhadora e a criação das Brigadas Digitais, disse, é um importante instrumento de defesa da verdade, da democracia e do presidente Lula das fake news.


Para ele, os trabalhadores terão um papel fundamental na retomada da democracia, mas principalmente na retomada dos seus direitos trabalhistas e previdenciário.


“O presidente Lula vem a todo momento falando sobre a importância de revogarmos essas reformas que não geraram emprego no nosso país, ao contrário, fez com que a informalidade e o trabalho precário aumentassem ainda mais. Por isso será fundamental a luta nas ruas e nas redes sociais, para fazermos esse contraponto, consolidarmos a democracia e ter novamente Lula como presidente para que essas reformas sejam revogadas”, afirmou Leandro.


A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, declarou que é preciso fazer o debate da defesa da democracia, dos direitos e das empresas públicas, porque é por meio delas que é possível gerar emprego e renda e desenvolvimento econômico. Sem elas a gente não pode gerar emprego e renda e fazer política econômica para a maioria da população. Essa é a prerrogativa dessa plataforma e é o grande mérito dela.


“Nós não queremos a miséria do jeito que a gente está vivendo nesse país; é um Brasil para as minorias, para os ricos. Queremos um Brasil para a maioria, um Brasil que não deixe suas crianças, idosos e sua população vivendo nas ruas e outra parte da população passando fome, fazendo uma refeição por dia quando muito. Então essa plataforma tem essa prerrogativa de levar esse debate do país que a gente quer para todas as regiões de norte a sul”, afirmou Juvandia.


A importância das Brigadas Digitais da CUT


Carmen Foro entende que os comitês de luta, a plataforma e as Brigadas Digitais estão articulados para fazer o debate na sociedade sobre o país que queremos.


“As brigadas digitas vão cumprir uma tarefa extraordinária no sentido de mobilizar as pessoas, de conversar, fazer com que os que não podem se encontrar pessoalmente possam se encontrar virtualmente também.

“A plataforma, a brigada digital e os comitês estão intrinsecamente ligados para nós darmos conta dessa missão extraordinária e do desafio gigante que temos. Falar com o povo, dialogar todos os dias e ter instrumentos para isso”, finaliza Carmen Foro.

O petroleiro Deyvid Bacelar acredita que para atingir esse objetivo é preciso ter uma militância engajada nas atividades desenvolvidas pela CUT, e a principal delas é a brigada digital, de combate às fake News e ao gabinete do ódio.

“É possível combater isso sim, se nós tivermos 60 mil dirigentes, diretoras e diretores de vários sindicatos participando desse processo nós conseguimos capilarizar todo o país, até por que a CUT está presente em todos os estados da nossa federação. E junto a isso, os comitês populares de luta, que precisam ser organizados, não só pra nos ajudarmos na campanha, mas também na pós-vitória para organizar a participação popular”, afirmou.

Já os bancários que acabaram de sair de um Congresso nacional da Contraf-CUT, aprovaram a formação de 300 comitês de luta em todo o Brasil e na construção de 30 mil brigadistas com cada dirigente sindical sendo responsável por ter 10 brigadistas para que se debata o Brasil que se quer.

“Nas redes e nas ruas vamos conversar com a população porque o debate tem de acontecer em todo o lugar. Vamos debater a importância do banco público, como vamos acabar com a fome e a miséria; aprofundar as ações de solidariedade. Essa é a nossa contribuição para reconstruir esse Brasil e fazer ele se tornar um país justo, solidário, fraterno, sem ódio e com amor”, finalizou a dirigente.

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Alimentos distribuídos pelos bancários


A presidenta da Contraf-CUT ressaltou ainda que os sindicatos podem fazer a sua parte neste momento de fome por que passam os brasileiros, com solidariedade. Ela conta que estão sendo distribuídas mil refeições desde o início da pandemia, na quadra do sindicato dos bancários em São Paulo, graças a parcerias com entidades e a arrecadação de alimentos feita pelos sindicatos.

“Por isso que temos de fazer o debate de que essa miséria só está assim porque o governo Bolsonaro fez a opção de privilegiar os ricos. Poderia ter feito a opção no orçamento, de privilegiar a maioria da população, a classe trabalhadora”, concluiu Juvandia.


Fonte: CUT - Central Única dos Trabalhadores